Bases da conduta médica

Até 50 anos atrás, praticamente não existiam estudos clínicos publicados, razão pela qual, o médico estribado em conhecimentos de anatomia, fisiologia, patologia, etc. que somado a sua experiência e de seus professores, decidia sua conduta diante dos problemas médicos.

Estudos clínicos são aqueles realizados com pacientes que apresentam uma determinada doença e são submetidas a diversas condutas.

O grau de confiança na conclusão destes trabalhos depende principalmente da metodologia empregada, assim como o numero de pacientes que foram estudados, pois se existir diferença no resultado destas condutas, estas tem que ser matematicamente significativa (estatística).

Quando estudamos o tratamento de um câncer, é também importante analisarmos o tempo de seguimento destas pacientes.

Com o surgimento de grande número de estudos clínicos, o raciocínio anterior passou a ser fonte de hipóteses para novos trabalhos clínicos, deixando de ser, portanto a base da nossa conduta.

Atualmente a medicina é baseada em estudos clínicos publicados que devem ser analisados e criticados. A aplicação destes conhecimentos depende dos recursos e da experiência do grupo responsável pela paciente.

A primeira causa de variação de conduta pode ser, portanto, a diferença de conhecimento dos estudos clínicos publicados.

O número de estudos publicados em mastologia é muito grande, e freqüentemente com resultados controversos, principalmente pela variação da metodologia ou do número insuficiente de pacientes.

Apesar do grande número de artigos publicados, existem alguns que formam as bases para nossa conduta. É difícil argumentar sobre variações de conduta, quando não se conhece profundamente estes trabalhos que não são tão numerosos.

Outra causa de controvérsia, principalmente em países subdesenvolvidos é a grande variação nos recursos disponíveis, tanto em relação a aparelhos quanto aos relacionados a especialistas necessários para completar a equipe de mastologia.

Estes recursos diferentes levam os especialistas a se adaptarem de tal maneira que seu raciocínio tende a considerar “melhor” determinados procedimentos, razão pela qual deve-se definir seus recursos na pratica diária, durante a argumentação.

Tendo se concluído através dos estudos publicados, que determinada conduta é a melhor para a paciente, e ainda estando disponível todos os equipamentos necessários, ainda resta o questionamento sobre a sua experiência e da equipe, na aplicação deste procedimento.

Esta experiência pode ser medida pela curva de aprendizado da equipe responsável, que conforme o nível apresenta variação na probabilidade de erro, até atingir o platô que é considerado o limite de eficácia do procedimento.

Interessante é o fato de que mesmo os especialistas de grande experiência são dependentes da curva de aprendizado de um novo procedimento. A necessidade de reciclagem, portanto é uma constante na nossa atividade.

A citação da experiência própria deve ser exata ou bem próxima, pois pequena variação de número é importante durante a curva de aprendizado.

As críticas realizadas por escrito, que teoricamente deveriam apresentar os mesmos princípios das que se fazem em reuniões científicas, apresentam dificuldades inerentes à situação, pois nem sempre é possível lembrar das citações dos estudos em que se baseiam as argumentações (autor e ano) e às vezes confunde-se os dados encontrados nestas publicações.

O ideal seria sempre cita-los e caso estivesse inseguro quanto aos dados do artigo, transmitisse esta dúvida aos colegas.Esta atitude é considerada essencial quando se realiza qualquer tipo de argumentação sobre conduta médica.

Apesar de que o conhecimento real de um assunto medico esteja baseado na analise critica dos estudos clínicos, as reuniões científicas, assim como outros eventos devem ser importante instrumento de atualização para o especialista, seja com o surgimento de nossas idéias, como no amadurecimento das já existentes.

As pacientes e seus familiares hoje participam das condutas medicas, e para isto seus questionamentos devem ser respondidos da maneira mais correta possível, sempre citando estudos e a experiência da equipe.



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